segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Fim da Caçada



Ela andava despreocupadamente, sem considerar o perigo que a rondava.
Protegido pelas sombras, ele acompanhava cada movimento dela.
Gostava de observar, aprender como cada presa se comportava, dessa forma planejava melhor o seu ataque.
Ficar horas orquestrando os detalhes era quase tão prazeroso quanto a ação. Quase...
Pois nada era melhor do que a sensação de ter o poder sobre alguém .
E esse poder de ser o senhor sobre a vida de outra pessoa lhe trazia uma imensa satisfação.
Já tinha perdido a conta de quantas vítimas já tinha feito, não tinha preferência por um tipo específico, e todas,
sem exceção , tinham o mesmo pavor nos olhos.
O medo, certamente era o mais excitante pra ele.
Já havia escolhido sua próxima vítima, mas ainda era cedo pra colocar seu plano cruel em prática, apesar de não ver grandes dificuldades para alcançar seus objetivos.
A escolhida era pequena, parecia distraída, era amável com todos, parecia doce e suave, não teria problemas em dominá-la, certamente ela não lhe ofereceria grande resistência.
Seria de certa forma lamentavelmente fácil.
Divagava nas atrocidades de sua imaginação perversa, até que percebeu que a moça estava indo em direção a um lugar sem movimento e escuro.
Era a chance perfeita. Não podia resistir.
Ao segui-la observou os detalhes do seu modo de andar, seus passos eram tão leves, ela se mexia como uma gata manhosa, era tão delicada, frágil, seria impossível que ela lhe escapasse.
O perfume dela parecia ficar por todo lugar que passava e aquele cheiro o atiçava ainda mais.
Decidiu agir logo, seus instintos estavam no comando agora. A sua natureza assassina não podia mais ser controlada.
Andou mais rápido e quando pensou que estava alcançando-a, num piscar de olhos, ela sumiu.
Pensou que ela o havia notado e tinha se escondido.
O que tornava a caçada ainda mais instigante. Olhou atentamente para cada canto, mas não encontrou-a . Isso nunca tinha lhe acontecido, distrair-se de forma a perder o foco.
Confuso, virou-se para trás e deu de cara com ela.
Havia um sorriso diabólico em seu rosto, o mesmo sorriso que ele mesmo já havia esboçado tantas vezes.
Em seus olhos não havia nenhum traço de medo, apenas uma fria segurança.
Havia algo de ameaçador nela.
Ele não entendia, mas a verdade é que a sua proximidade o estava intimidando.
Então quando fez a menção de tocá-la, ela desviou-se com uma rapidez absurda.
Sem muito esforço e com movimentos precisos ela o imobilizou, demonstrando uma força sobre - humana.
Ela chegou bem perto do seu ouvido e lhe disse num calmo e melodioso sussurro :
-Hora de morrer querido...
Aquelas palavras o deixaram completamente apavorado, se deu conta de que desde o começo ela o manipulou, levou-o exatamente para onde ela queria, dominava-o completamente.
Ela fez tudo de forma pensada, e ele caiu como um estúpido em sua armadilha.
Então, calmamente ela lhe disse que devido ao fato de ambos serem assassinos, lhe daria o direito de escolher se queria uma morte lenta ou rápida, mas que ambas seriam dolorosas, pois não havia tanta consideração assim para lhe poupar do sofrimento.
Ele a olhou assombrado, e como se lesse os pensamentos dele, ela lhe disse para não ser tão patético ao tentar defini-la como um monstro, até poucos instantes ele a considerava a mais doce das criaturas, e que ela não matava puramente por prazer. Não era somente prazer...
Era algo necessário, assim como um animal na vida selvagem, ela apenas seguia a cadeia alimentar, não era algo dramático, nem monstruoso como ele estava pensando, que se ele analisasse melhor veria que chegava a ser puro, ela simplesmente estava suprindo uma necessidade básica para a sua existência e que a sua vida miserável finalmente teria alguma serventia... Alimentá-la.
Que ao contrário dele, ela sim, tinha certos princípios.
Na verdade, dois apenas.
Não brincava com a comida, e só se alimentava de predadores sociais.
Eram mais saborosos, e ela ainda estava ajudando na limpeza da sociedade.
Além disso, era tão fácil atrair gente do seu caráter, eram todos tão arrogantes , tão certos de sua superioridade.
A surpresa que ela lhes causava tornava tudo muito mais apetitoso e divertido.
Antes que ele pudesse pensar em responder, ela avançou em sua garganta e estraçalhou a sua jugular.
Ele sentiu os seus dentes afiados lhe rasgarem a carne, as suas unhas lhe penetrarem a pele.
Viu que era o seu fim. Lembrou-se de todas as suas vítimas, de cada súplica, cada expressão de desespero e dor.
Não se arrendeu de nada.
E ao sentir que a vida estava deixando-o, que o frio da morte estava próximo, em seus pensamentos percebeu a ironia daquilo tudo, ele que sempre foi um algoz impiedoso , dessa vez era a caça, iria morrer como uma vítima indefesa.
O predador tornara-se presa e morreria como tal.

Um comentário:

  1. Obrigado pela visita no meu blog, pelo amável comentário.

    De facto são factos o que descrevo no que comentou, mas com muita pena minha a pessoa a quem me refiro é alguém especial e não nutre por mim aquilo que eu desejava, acredite que na posição dele outros com certeza pelo menos tentariam tirar proveito, é sem duvida alguém que me marcou pela positiva para o resto da minha vida, me fez sentir também que ainda existem pessoas boas neste mundo.

    Felicidades para si, volte sempre que queira!

    Patricia.


    Kiss!

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